Alamar – "Família: o que é e o que deveria ser"

Família: o que é e o que deveria ser
De vez em quando recebo alguns e-mails de amigos, com sugestões para que eu escreva acerca de determinados assuntos. Ultimamente o que mais me sugerem é que eu escreva sobre o programa “Big Brother Brasil”, da Rede Globo, sob a argumentação de que é um desrespeito e agressão à família. Pediram-me, também, para escrever contra as mulheres que desfilam no Carnaval, com os seios de fora e os tapa-sexo, também sob a argumentação de que aquilo representa um desrespeito e agressão à família. Em vários momentos vimos textos e discursos de pessoas protestando contra algumas coisas, sob a argumentação de que são desrespeitosas e agressivas à família.
Antes de entrar no assunto, quero informar que eu, também, não acho um pingo de graça em programas de televisão ao estilo do Big Brother e de outros, de gosto duvidoso, que vários canais mostram, não apenas a Rede Globo. Só não consigo entender porque só se referem à Globo, nunca aos outros canais, quando fazem críticas a programas de televisão. Lembremos que existe o “Pânico”, também, que não é da Globo; o “CQC”, que não é da Globo, tem o João Gordo e vários outros, que não são da Globo… Mas não é este o foco.
Vamos lá e analisemos esta questão com muita frieza, desprovidos de qualquer senso de demagogia e hipocrisia, já que não podemos subestimar a nossa inteligência.
O bom senso diz: Só pode reivindicar respeito, aquele que se dá respeito, não é verdade?
Considerando que todos os leitores convivem, diariamente, com famílias, podem responder com base naquilo que eles mesmos vêem, com os seus próprios olhos e eu não corro o risco de fazer colocações aqui que alguém possa argumentar que é coisa que eu estou inventando, faço uma pergunta:
A instituição família, nos moldes como ela é e não no que deveria ser, tem alguma moral para reclamar que alguém, de fora, esteja faltando com respeito a ela?
Será que ela, verdadeiramente, vive de forma sagrada, em conduta respeitosa entre os seus membros, cultivando paz e dignidade dentro do lar, em observância aos princípios elementares de moralidade e respeito, dialogando com serenidade entre os seus membros, em tons de vozes respeitosos, sem agressões, sem ofensas e sem ataques entre os seus próprios membros, para se achar no direito de reclamar, porque um membro do Big Brother se dirige ao outro de forma agressiva ou porque aparece um deles nu, na televisão?
Repito que eu também não gosto de ver agressão de ninguém para ninguém, na televisão e em lugar nenhum, mas sejamos sensatos para um detalhe:

Ninguém agride mais a família, do que ela mesma.

A família, por incrível que pareça, é a instituição onde se registra as maiores agressões e ofensas, entre as pessoas. Talvez a sua… você que está lendo… seja uma maravilha, todo mundo se ama, se trata de forma carinhosa, afectuosa e respeitosa, vive em paz, em harmonia e tranquilidade, sendo uma verdadeira excepção, mas procure observar como são as famílias dos seus vizinhos, dos seus parentes e da maioria das pessoas, pra ver como é a coisa, na grande maioria dos lares.

Gente! não tentemos “tapar o sol com a peneira”, como se diz no popular, mas a realidade é que, na maioria dos lares, existe agressão e desrespeito entre os seus membros quase que diariamente. Nem os animais, confinados em jaulas nos zoológicos, se estranham e agridem tanto uns aos outros como se agridem, mutuamente, os irmãos dentro de uma família.

Os filhos, hoje, dizem para os próprios pais o que querem e o que bem entendem e é muito comum, inclusive, a gente ver adolescentes mandando a sua mãe e o seu pai tomarem em tudo quanto é lugar, sem temer nada, sem qualquer preocupação, porque autoridade de pai e de mãe é coisa que está praticamente extinta. Os filhos vêem as suas mães como se fossem suas empregadas domésticas e as tratam como tal, ou, melhor, tratam até pior, porque se tratarem as verdadeiras empregadas de forma violenta, elas denunciarão ao seu órgão de classe, à polícia e até mesmo à justiça, e providências enérgicas são tomadas.

A mãe agredida pela estupidez dos filhos, vai reclamar pra quem?

A mulher da casa trata o seu marido como simples mantenedor da família, o caixa do lar, aquele que tem obrigação de arrumar dinheiro, dinheiro e mais dinheiro para botar dentro de casa, custe o que custar, e que se dane ele.

O homem, por sua vez, trata a esposa, também, como se fosse uma coisa qualquer, sua empregada, empregada dos filhos, a varredora da casa, a passadeira das roupas, a que tem que manter o banheiro limpo e a privada cheirosa.

Raramente se vê um gesto de carinho entre marido e mulher, na maioria dos lares, assim como, raramente, também, se vê gestos de carinhos entre os irmãos, entre pais e filhos e entre filhos e pais. Tenho certeza de que não estou exagerando, no que estou dizendo.

Há, também, a presença do conhecido filho problema, aquele que tem tudo, tem saúde, tem um lar, tem conforto, tem um pai para lhe pagar colégio ou faculdade, mas sempre acha que lhe falta tudo, que os pais gostam mais do irmão do que dele, é mal humorado, só fala besteira e não raciocina, antes de espalhar o seu veneno dentro do lar. No fundo morre de inveja da competência do outro, do bom humor e da sociabilidade do próprio irmão e, em vez de fazer um esforço em olhar para si mesmo, reflectindo nas merdas que faz, repetidamente, procurando usar um pouco de inteligência para mudar a sua burra maneira de viver, insiste em viver sendo a praga da família, o infernizador do lar, sem decidir sair-se do mar de lama mental que vive mergulhado, por culpa exclusivamente de um orgulho idiota, da sua teimosia e da sua burrice.

Os pais, por sua vez, terminam passando a gostar mais do outro irmão, com razão, porque, afinal de contas, ninguém é de ferro e não adianta insistir naquela hipocrisia barata do “gosto de todos, por igual”, porque é mentira, é conversa fiada.

É bom lembrar que esses membros da família, que vivem a criar problemas, que vive a infernizar a vida de todo mundo, espalhando a sua lama mental, continuam a fazer as suas porcarias por causa do excesso de tolerância que todos têm em casa, para com ele, quando na realidade todos, principalmente pai e mãe, deveriam deixar de bestas e ser mais duros, mais enérgicos e mais ríspidos, já que a maioria desses comportamentos não tem outra definição, a não ser frescura mesmo.

Quanto mais pena e tolerância você ter com o chantagista, mais chantagem ele faz com você.

Sei que alguns Psicólogos vão querer questionar este meu posicionamento, porque as manias das “bondadezinhas” ridículas que proliferam por aí, exigem que a gente “meça as palavras” e diga às pessoas o que elas querem ouvir e não o que elas precisam ouvir. Sei, ao mesmo tempo, que outros Psicólogos dirão que eu tenho razão, haja vista que nem todos estão dispostos a fazer da Psicologia uma palhaçada.

A família é o lugar onde se registra os maiores índices de chantagens sentimentais, do mundo. De pais para com filhos, de filhos para com os pais, de mulheres para com maridos e vice-versa.

– “Eu vou morrer, e será por sua culpa, minha filha. Tô que não aguento mais”.

– “Se o seu pai tiver um enfarte, a culpa é sua, viu?”

– “É pai, se o senhor não comprar isto ou aquilo pra mim, depois não vai reclamar se eu me der mal no colégio”

– “Ô, minha filha, não me dê esse desgosto, termine com ele, pra ver se eu consigo ter um pouco de paz, nesta vida”.

– “Fulano foi embora, mãe, por sua culpa”

– “Mãe, Pai, vocês têm que decidir: Ou ele ou eu, aqui nesta casa”.

É também onde se registram as ridículas cenas de ciúmes.

Os filhos adolescentes, hoje, entram e saem de casa a hora que querem e os pais não podem falar nada, porque, certamente, vão escutar a explosão, a irada reacção e, em muitos casos, serão mandatos tomar no… Infelizmente, esta é uma dura realidade que vivemos na instituição família, esta mesma que a demagogia anda dizendo que é sagrada.

– “Porra, mãe, por que você não lavou a minha blusa amarela, isto é sacanagem!!!”

E sai esbarrando em tudo dentro de casa, quando não quebra.

– “Se você mexer de novo na minha gaveta, eu lhe dou porrada”.

– “Não lhe interessa, eu não tenho satisfações a lhe dar, vá a merda”

– “Só tem surdo nesta casa? Faz mais de uma hora que eu to tocando a campainha”

– “Tu é cega, porra, não ta me vendo não?”

Estas são as frases que se ouvem, na maioria dos lares.

Existe muita diferença em como a família deveria ser e como ela realmente é, daí o título do artigo.

A família e o idoso

A relação da maioria das famílias em relação aos membros idosos… refiro-me aos avós… é da forma mais fria, indiferente e desumana possível. Quem duvidar disto, que comece a visitar lares onde têm idosos, valendo lembrar que muitos lares não têm, porque a família, que é “sagrada”, quando tem recursos, resolve colocá-los em lares de “repouso”, que nada mais são do que depósitos de velhos, prisões de solidão, passam anos sem visitá-los, porque ninguém tem tempo de vê-los, já que eles não são prioridade nenhuma. Sob a fria argumentação de “Lá, eles poderão conviver e conversar com gente da sua idade e da sua época”, a indiferença da família comete grande crueldade com quem lutou a vida inteira para fazer a sua base.

Quando um idoso comete algum erro dentro de casa ou, ao menos, fala alguma coisa que desagrade a algum dos seus membros, invariavelmente é chamado a atenção veementemente, pela família, mandado calar a boca e ficar no seu canto.

– “Ih, vovô, ninguém chamou o senhor na conversa”.

– “Poxa, vovó, que saco. Dá um tempo, vai!!!”

Lugar de idoso, geralmente, é no quarto de empregada. Quem quiser constatar, que faça um levantamento, visitando a maioria dos lares onde ainda reside algum.

Se o idoso está na sala, assistindo televisão com a família, você conhece algum caso de lar em que prevalece o canal que ele quer assistir?

Quando um adolescente se insurge e cria caso com um dos seus avós, de que lado os seus pais ficam? Sempre ao lado do adolescente, por mais que ele esteja sendo cruel e injusto. Raro é o pai, ou mãe, que o repreende e exige mais respeito e carinho para com os velhos.
 

Quando a Globo apresentou a novela “Mulheres apaixonadas”, ela dedicou um quadro, fazendo campanha por mais respeito da família para com o idoso. Existia uma personagem, adolescente, de nome Doris, que maltratava e humilhava seus avós. No dia do capítulo em que o pai dela, interpretado pelo Caruso, deu-lhe uma surra de cinto, o ibope registrou um dos maiores índices de audiência de novela, como se no país, inteiro, a maioria das famílias não permitisse que fizessem, em suas casas, exactamente o que a Doris fazia com seus avós.

A realidade é que a família é uma coisa em teoria e outra na prática.

É o caso de se questionar:

Será que eu respeito e tenho o carinho pelos meus pais, na minha casa, para sair escrevendo e-mails pela Internet protestando contra o adolescente que age com desrespeito para com os seus pais, na novela?

Será que eu sou, de fato, alguém que sempre pratiquei fidelidade total em relação ao meu cônjuge, para ter moral para reclamar contra as cenas de novela onde alguém tem relação extra conjugal?

Que comportamento sexual eu tenho, intimamente e às escondidas, para fazer tanto estardalhaço quando aparece um casal na cama ou aos beijos, nos capítulos de novelas?

Não serei eu um frustrado e infeliz, do ponto de vista sexual, que, pelo trauma, não consigo ver nenhuma cena de sexo, com casais felizes, no cinema ou na TV, daí qualificar, sempre, como imoralidade?

Muitos homens não se dão o devido respeito, agem como verdadeiros tiranos, em relação aos seus familiares, é arbitrário, violento, cheio de vícios, mantém os filhos pelo temor porque não têm competência de conquistá-los pelo amor, já que não tem compromisso moral nenhum. Como podem querer acusar a televisão de agressiva à família?

A família deveria, sim, ser sagrada

A coisa é tão acentuada que quando a gente vai a algum lar e percebemos os filhos carinhosos entre eles, em gestos de carinhos para com os seus pais, lar constantemente alegre toda vez que vamos lá, surpreendentemente achamos maravilhoso e dizemos isto, para as pessoas:

– “Ô fulana, eu acho tão bonita a maneira como você e o seu marido se tratam.”

– “Acho maravilhoso esse carinho dos seus filhos em relação a vocês, a forma como todos recebem o pai quando chega do trabalho e esse alto astral constante desta casa.”

É como se dissesse: Lá em casa não tem nada disto.

O ambiente familiar deveria ser melhor cuidado pelos seus próprios membros.

Em casa onde as famílias não fazem esforços para permitir a entrada de Jesus, pela porta da frente, com certeza as portas dos fundos estarão escancaradas para a entrada de espíritos inferiores, que farão o que querem. Com esta citação, não estou fazendo discurso religioso porque o Jesus, bem entendido, está muito acima de religião. Quando se referem ao nome dele, é simplesmente como coadjuvante da rotulação religiosa que abraçaram, como mero adereço e não como a razão principal, que todos temos que adoptar como maior modelo a seguir.

Casamentos que são fugas

Você sabe porquê, no fundo, muitos jovens se casam cedo?

Porque estão amando?

Não, nada disto, casam-se cedo, porque vêem nisto uma forma de se saírem do lar, em busca de se verem livres das suas famílias. É uma fuga!!! Casamento que se realiza por fuga de um dos dois tem sempre a tendência de não dar certo e ambos sempre se dão mal, porque, na maioria dos casos, o que se casou, por fuga, se vê em situações muitos mais difíceis que a anterior. Entra naquela do “se arrependimento matasse, eu já teria morrido”, mas o orgulho não deixa que diga isto.

Outro grande problema que faz com que o jovem se apresse logo em sair do lar, principalmente as meninas, é a busca pela liberdade sexual, haja vista o inferno que a cabeça de uma sociedade retrógrada e hipócrita ainda faz em relação ao sexo, vinculando-o sempre com imoralidade, indecência, pecado, obsessão, desequilíbrio, doença, delinqüência e coisa condenável, nesses conceitos deturpados que os pais herdam e perpetuam, quando deveriam procurar estudar mais o assunto, desvinculá-lo do campo da moralidade e do pecado, conversar abertamente sobre ele e estabelecer diálogos sem medos e sem culpas com todos dentro de casa.
As pessoas vivem comportamentos masoquistas, visto que um anda proibindo o outro naquilo que não gostaria que ninguém lhe proibisse, onda de patrulhamento infernal na vida dos outros, cenas de ciúmes, um fazendo do outro propriedade e objeto seu, ameaças, exigência para que o outro viva conforme as suas conveniências, cobranças, etc… O pior é que ainda existe um monte de idiotas que chama essas coisas de amor!!!!!!!
Como é que pode, uma pessoa que agride e inferniza a vida de outra, com cenas ridículas de ciúme, dizer que faz isto por amor????? Mais imbecil é o outro, que se acha na obrigação de tolerar esses doentes, acreditando que os seus desequilíbrios são mesmo manifestações de amor.
A sociedade precisa repensar os seus comportamentos e começar a fazer exercícios para se libertar do masoquismo, da auto destruição, do cerceamento à própria liberdade, da língua dos outros, principalmente de parentes, da religião que castra, proíbe, impõe e se acha no direito de manipular consciências e, também, do maior de todos os males que é a hipocrisia.
É chato, sim, ver as bobagens que muitas vezes são mostradas no Big Brother, talvez até seja incômodo, para alguns, as mulheres com poucas roupas, desfilando no carnaval; mas posso garantir e todo mundo que me lê aqui pode comprovar, que tudo aquilo é fichinha, em se comparando que o que existe, de fato, dentro da maioria dos lares da “sagrada” instituição família.
Carinhosamente.
Alamar Régis Carvalho
Analista de Sistemas, Escritor, ator, profissional de televisão.
Criador da idéia do Partido Vergonha na Cara – http://www.partidovergonhanacara.com/

alamar@redevisao.net

http://www.alamar.biz/http://www.redevisao.net/http://www.site707.com/

Madeira – Um Apelo

O Centro Cultural Espírita do Funchal não pede dinheiro, nem géneros. Pede as nossas preces pelos que regressaram à Pátria Espiritual e pelos que ficaram, a braços com a tarefa da reconstrução, das suas casas e das suas vidas.
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