Paz a todos,
Agradecemos as contribuições da Karina, do Renato e do Manuel.
Realmente as questões levantadas pelo Renato são pertinentes e os comentários de Manuel foram bastante esclarecedores.
Uma das palavras-chave da mediunidade é flexibilidade. Com a educação mediúnica, o médium vai aprendendo a servir de instrumento tanto para espíritos superiores quanto para aqueles que ainda se encontram em estado de perturbação. Neste sentido é que devemos lembrar sempre que, embora a analogia feita com a eletricidade (por vários autores e pelo próprio André Luiz no livro em estudo), não devemos considerar a questão vibratória nos limites tão rígidos impostos pelas leis físicas.
O padrão vibratório de cada um de nós é variável, embora comumente se mantenha dentro de determinada “faixa” característica, definida não só pela nossa evolução moral, mas também pelos estados mentais e emocionais vivenciados a cada instante. Chamaremos a este “padrão vibratório” de nosso estado “natural” de consciência. Quando, por algum fator motivador, mudamos as frequências de nosso padrão, entramos em um estado “alterado” de consciência. Exemplos de estados alterados são o sono, a exteriorização da raiva e a passividade mediúnica.
Observemos que nas reuniões mediúnicas espíritas, o estado alterado (passividade) necessário à comunicação mediúnica é alcançado (como visto em capítulos anteriores) principalmente pela _atenção_ do médium (que alguns chamam de “concentração”). Esta atenção, ou seja, o direcionamento das ondas mentais para o “aqui e agora”, permite ao médium ampliar a sensibilidade e se colocar em posição de perceber as vibrações espirituais. Esta “conjugação de ondas mentais” (para usar a espressão de André Luiz) dispara mecanismos de automatismo no médium que possibilitam (havendo também a afinidade dita “fluídica”) a percepção “física” do fenômeno mediúnico. Na realidade, estes automatismos caracterizam a própria mediunidade (já que atenção e sintonia são processos acessíveis a todos os espíritos, médiuns ostensivos ou não). E como alcançar a atenção? A prece, no sentido de “reflexo condicionado” (quase todas as pessoas mudam a postura mental quando se propõe a fazer uma prece) é um exemplo. Em outras práticas mediúnicas, por exemplo, são usados outros mecanismos indutórios da hipnose, tais como a música ritmada pelos tambores, o incenso, a dança, uso de substâncias psicoativas, etc. O “aumento” de vibrações pode ser entendido como uma “mudança” no padrão vibratório.
Assim, podemos entender que o aspecto essencialmente “físico” do fenômeno independe das questões morais (por isso a afirmativa conhecida que a mediunidade é independente da moral). Quanto ao conteúdo e à natureza do espírito comunicante, estes naturalmente estão aliados aos fatores moral, psiquico e emocional. Por isso a conduta do médium é tão importante, uma vez que estabelece o conteúdo psíquico/intelectual e o tipo de fluido (energia) que serão movimentados no fenômeno mediúnico. Naturalmente é mais fácil para nós estabelecermos sintonia com aqueles que comungam nossa maneira de ver e viver a vida, que possuem comportamentos semelhantes. Por isso espírito muito diferentes do padrão “normal” do médium geram mais “sensações” (bem estar, no caso de espíritos superiores, incômodos físicos, no caso de espíritos muito perturbados). Por isso também em algumas comunicações o médium diz que “não senti quase nada, apenas percebi o pensamento do espírito”, indicando a possibilidade de ser um espírito de padrão vibratório semelhante (mesmo que esteja em sofrimento ou perturbação).
Com relação à “exteriorização fisiológica”, acredito também que André Luiz não quis tratar, neste caso, do animismo, mas sim da utilização dos recursos físicos/intelectuais/comportamentais do médium. Dependendo da “profundidade” do transe mediúnico, os recursos de expressão exterior (voz, gestões, termos usados, etc) serão quase sempre do médium. Podemos voltar a este tema depois, a mensagem já está ficando grande…
Abraços,
Ely
From: salas@cvdee.org.br [mailto:salas@cvdee.org.br] On Behalf Of Manuel Ferreira Barbosa Neto
Sent: terça-feira, 16 de março de 2010 17:45
To: andreluiz@cvdee.org.br
Subject: [andreluiz] Re: Mecanismos da mediunidade – Capitulo 18 – Efeitos Intelectuais (III)
Senhor Renato Freitas,
estive esta semana pensando nas suas perguntas e cheguei a alguns apontamentos.
A) No texto, objeto do nosso estudo, André Luiz afirma: “
“Vemos que a conjugação de ondas mentais surge, presente, em todos os fatos mediúnicos.”
“Atenta ao reflexo condicionado da prece, nas reuniões doutrinárias ou nas experiências psíquicas, a mente do médium passa a emitir as oscilações que lhe são próprias, às quais se entrosam aquelas da entidade comunicante, com vistas a certos fins”.
Compreendemos que á partir do momento, que uma entidade com vibrações superiores as nossas precisa se manifestar, a prece sem dúvida é um poderoso instrumento para que possamos aumentar as nossas vibrações e assim se “entrosar” com a entidade comunicante superior, dando inicio ao fenômeno. Entretanto, quando ocorre o contrário,ou seja, a manifestação de um “espírito sofredor”(= baixas vibrações), como entender o mecanismo mediúnico, sob o ponto de vista de sintonia, quando o médium aumenta suas vibrações através da prece para se “entrosar” com as baixas vibrações daquela entidade?
Em outros textos do mesmo autor, há uma abordagem a este respeito. Pelo que me lembro, a dificuldade de sintonia do médium ocorre sempre que este se comunica com um espírito superior a ele e não com um espírito inferior, pois, segundo estudamos, “o mais pode o menos, mas o menos não pode o mais”. Isto é semelhante aos relatos que temos em outros livros mediúnicos que nos apresentam o caso de espíritos superiores não serem vistos pelos inferiores, passando entre eles sem despertar nenhuma atenção, por razões de incompatibilidade de vibrações; conceito este semelhante, portanto, ao caso da conjugação de ondas. Contudo, os superiores conseguem perfeita e profundamente observar os inferiores, e em determinados momentos, abaixar seu padrão vibratório para se tornarem visíveis.
Acredito, assim, que à medida que o médium se aperfeiçoe, melhorando conseqüentemente seu padrão vibratório, este se torna mais flexível, podendo dar passividade tanto a espíritos superiores e compatíveis com ele, como a espíritos inferiores. O mesmo não acontece na situação contrária, conforme abordado no estudo desta semana.
B) A que André Luiz se refere na frase: (…)”quase toda a exteriorização fisiológica no intercâmbio pertence ao médium”(…):
Se refere apenas a voz e “maneira de falar”, peculiar ao médium, ou se refere a uma alteração quase que total, do conteúdo da mensagem do espírito comunicante,pelo médium?
Acredito que nesta expressão André Luiz não considerou o animismo, mas que deu ao médium a responsabilidade maior para o sucesso do intercâmbio mediúnico. Segundo o Livro dos Médiuns, e também conforme Andre Luiz, no fenômeno mediúnico a maior exteriorização de ondas (fisiológico) ou de ectoplasma pertence realmente ao médium. Ao espírito comunicante cabe por sua vez conduzir estes recursos da organização medianímica para os objetivos da reunião.
Cordialmente, Manuel Ferreira
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