Em 17/03/2010 13:37, Sergio Rodrigues < smmcnet@uol.com.br > escreveu:
Centro Virtual de Divulgação e Estudo
do Espiritismo – CVDEE
3º ciclo de estudo do livro “A Gênese”, de Allan Kardec, editora FEB
Estudo nº. 089-3
Capítulo XIII – Caracteres dos milagres
Tema: Faz Deus milagres? – itens 15 a 17
Faz Deus milagres?
15. – Quanto aos milagres propriamente ditos, Deus, visto que nada lhe é impossível, pode fazê-los. Mas, fá-los? Ou, por outras palavras; derroga as leis que dele próprio emanaram? Não cabe ao homem prejulgar os atos da Divindade, nem os subordinar à fraqueza do seu entendimento. Contudo, em face das coisas divinas, temos, para critério do nosso juízo, os atributos mesmos de Deus. Ao poder soberano reúne ele a soberana sabedoria, donde se deve concluir que não faz coisa alguma inútil.
Por que, então, faria milagres? Para atestar o seu poder, dizem. Mas, o poder de Deus não se manifesta de maneira muito mais imponente pelo grandioso conjunto das obras da cria ção, pela sábia previdência que essa criação revela, assim nas partes mais gigantescas, como nas mais mínimas, e pela harmonia das leis que regem o mecanismo do Universo, do que por algumas pequeninas e pueris derrogações que todos os prestímanos sabem imitar? Que se diria de um sábio mecânico que, para provar
a sua habilidade, desmantelasse um relógio construído pelas suas mãos, obra-prima de ciência, a fim de mostrar que pode desmanchar o que fizera? Seu saber, ao contrário, não ressalta muito mais da regularidade e da precisão do movimento da sua obra?
Não é, pois, da alçada do Espiritismo a questão dos milagres; mas, ponderando que Deus não faz coisas inúteis, ele emite a seguinte opinião: Não sendo necessários os milagres para a glorificação de Deus, nada no Universo se produz fora do â mbito das leis gerais. Deus não faz milagres, porque, sendo, como são, perfeitas as suas leis, não lhe é necessário derrogá-las. Se há fatos que não compreendemos, é que ainda nos faltam os conhecimentos necessários.
16. – Admitido que Deus houvesse alguma vez, por motivos que nos escapam, derrogado acidentalmente leis por ele estabelecidas, tais leis já não seriam imutáveis. Mesmo, porem, que semelhante derrogação seja possível, ter-se-á, pelo menos, de reconhecer que só ele, Deus, dispõe desse poder; sem se negar ao Espírito do mal a onipotência, não se pode admitir lhe seja dado desfazer a obra divina, operando, de seu lado, prodígios capazes de seduzir até os eleitos, pois que isso implicaria a idéia de um poder igual ao de Deus. E, no entanto, o que ensinam. Se Satanás tem o poder de sustar o curs o das leis naturais, que são obra de Deus, sem a permissão deste, mais poderoso é ele do que a Divindade. Logo, Deus não possui a onipotência e se, como pretendem, delega poderes a Satanás, para mais facilmente induzir os homens ao mal, falta-lhe a soberana bondade. Em ambos os casos, há negação de um dos atributos sem os quais Deus não seria Deus.
Daí vem a Igreja distinguir os bons milagres, que procedem de Deus, dos maus milagres, que procedem de Satanás. Mas, como diferençá-los? Seja satânico ou divino um milagre, haverá sempre uma derrogação de leis emanadas unicamente de Deus. Se
um indivíduo é curado por suposto milagre, quer seja Deus quem o opere, quer Satanás, não deixará por isso de ter havido a cura. Forçoso se torna fazer pobríssima idéia da inteligência humana para se pretender que semelhantes doutrinas possam ser aceitas nos dias de hoje.
Reconhecida a possibilidade de alguns fatos considerados miraculosos, há-se de concluir que, seja qual for a origem que se lhes atribua, eles são efeitos naturais de que se podem utilizar Espíritos desencarnados ou encarnados, como de tudo, como da própria inteligência e dos con hecimentos científicos de que disponham, para o bem ou para o mal, conforme neles preponderem a bondade ou a perversidade. Valendo-se do saber que haja adquirido, pode um ser perverso fazer coisas que passem por prodígios aos olhos dos ignorantes; mas, quando tais efeitos dão em resultado um bem qualquer, fora ilógico atribuir-se-lhes uma origem diabólica.
17. – Mas, a religião, dizem, se apóia em fatos que nem explicados, nem explicáveis são. Inexplicados, talvez; inexplicáveis, é questão muito outra. Que sabe o homem das descobertas e dos conhecimentos que o futuro lhe reserva? Sem falar do milagre da criação, o maior de todos sem contestação possível, já pertencente ao domínio da lei universal, não vemos reproduzirem-se hoje, sob o império do magnetismo, do sonambulismo, do Espiritismo, os êxtases, as visões, as aparições, as percepções a distância, as curas instantâneas, as suspensões, as comunicações orais e outras com os seres do mundo invisível, fenômenos esses conhecidos desde tempos imemoráveis, tidos outrora por maravilhosos e que presentemente se demonstra pertencerem à ordem das coisas naturais, de acordo com a lei constitutiva dos seres? Os livros sagrados estão cheios de fatos desse gênero, qualificados de sobrenaturais; como, porém, outros análogos e ainda mais maravilhosos se encontram em todas as religiões pagãs da antigüidade, se a veracidade de uma religião dependesse do numero e da natureza de tais fatos, não se saberia dizer qual a que devesse prevalecer.
QUESTÕES PARA ESTUDO
a) Segundo o Espiritismo, Deus faz milagres?
No entendimento do Espiritismo, os milagres seriam alterações das leis divinas, que somente Deus poderia fazer. Se Suas leis são perfeitas, não nenhuma necessidade de alterá-las.
b) Os chamados milagres seriam compatíveis com os atributos de Deus?
Se Deus é eterno e perfeito, não seriam necessárias alterações de suas leis, que por sua vez também seriam pefeitas.
c) Podem os espíritos inferiores, que se dedicam ao mal, praticarem atos tidos como milagres?
Não, pois teriam poder, no mínimo igual, ao de Deus, tornando-se assim um outro Deus.
d) Segundo Kardec, a sobrevivência das religiões depende dos chamados “milagres”?
Não deveria. A partir do momento que a ciência explica um fenômeno tido por milagre, esta religião acaba perdendo a credibilidade.
Muita paz a todos e bom estudo

Manuel Ferreira Barbosa Neto para genese

Boa tarde aos queridos colegas de estudo!
Que a paz do Divino Mestre esteja com todos!

QUESTÕES PARA ESTUDO

a) Segundo o Espiritismo, Deus faz milagres?
Deus poderia fazer milagres se os quisesse, dada à sua onipotência; porém, e esta é a questão, faz milagres? Conforme a doutrina, não, pois segundo nos explica Allan Kardec, não há motivo lógico e racional para que Deus, se utilizando de sua onipotência, derrogue as leis que ele próprio instituiu. Afinal, se assim procedesse, suas leis fatalmente não seriam imutáveis, e não seriam a soberana previdência e perfeição, de sorte que Deus, que é o autor, não seria, também ele, soberanamente previdente e perfeito.
A idéia do milagre se prende a algumas fraquezas humanas, quais sejam, a necessidade do maravilhoso, como forma se de furtar às conseqüências naturais por que passa todos os homens, a ignorância de todas as leis de Deus na natureza, e uma forma equivocada de verificar a onipotência divina na derrogação das perfeitas leis naturais que regem a vida.

b) Os chamados milagres seriam compatíveis com os atributos de Deus?
Como bem apontado pelo Codificador, os milagres não seriam compatíveis com os atributos divinos, pois consoante a resposta da questão anterior, a derrogação das leis divinas por quem quer que seja, Deus ou inteligências perversas, implica necessariamente a imprevidência e a imperfeição das leis naturais instituídas pelo próprio Deus.

c) Podem os espíritos inferiores, que se dedicam ao mal, praticarem atos tidos como milagres?
A possibilidade de espíritos inferiores praticarem milagres seria mais absurda ainda. Neste caso, mais do que em qualquer outro, Deus seria de duas uma: A) não seria a onipotência suprema, visto que um ser inferior poderia fugir às suas leis, B) ou se Deus fosse conivente, seria necessariamente menos bom do que a suprema bondade.

d) Segundo Kardec, a sobrevivência das religiões depende dos chamados “milagres”?
Segundo Kardec, as religiões se apoiaram nos chamados milagres para, de alguma forma, atestarem a onipotência de Deus frente ao avanço do conhecimento científico. Mas, como nos diz o Codificador, mais belo e onipotente se revela Deus pela suprema previdência e perfeição de suas leis, que alcançam tanto os macro como os micro, e hoje nano, cosmos. Em todo caso, diversas religiões, cristãs e pagãs, se debruçam sobre o maravilhoso, na tentativa de ilustrar o mundo com feitos prodigiosos e sobrenaturais. Contudo, coube ao Espiritismo lançar as explicações para esta ordem de fenômenos, e dizer que estes também respeitam a leis naturais, porém que eram desconhecidas. Portanto, a sobrevivência da religião não depende necessariamente do milagre, posto que o Espíritismo está aí e não recorre ao maravilhoso ou ao milagre para se estabelecer.

Cordialmente, Manuel Ferreira

Em 17 de março de 2010 13:37, Sergio Rodrigues escreveu:

Centro Virtual de Divulgação e Estudo
do Espiritismo – CVDEE

3º ciclo de estudo do livro “A Gênese”, de Allan Kardec, editora FEB

Estudo nº. 089-3

Capítulo XIII – Caracteres dos milagres

Tema: Faz Deus milagres? – itens 15 a 17

Faz Deus milagres?

15. – Quanto aos milagres propriamente ditos, Deus, visto que nada lhe é impossível, pode fazê-los. Mas, fá-los? Ou, por outras palavras; derroga as leis que dele próprio emanaram? Não cabe ao homem prejulgar os atos da Divindade, nem os subordinar à fraqueza do seu entendimento. Contudo, em face das coisas divinas, temos, para critério do nosso juízo, os atributos mesmos de Deus. Ao poder soberano reúne ele a soberana sabedoria, donde se deve concluir que não faz coisa alguma inútil.
Por que, então, faria milagres? Para atestar o seu poder, dizem. Mas, o poder de Deus não se manifesta de maneira muito mais imponente pelo grandioso conjunto das obras da criação, pela sábia previdência que essa criação revela, assim nas partes mais gigantescas, como nas mais mínimas, e pela harmonia das leis que regem o mecanismo do Universo, do que por algumas pequeninas e pueris derrogações que todos os prestímanos sabem imitar? Que se diria de um sábio mecânico que, para provar
a sua habilidade, desmantelasse um relógio construído pelas suas mãos, obra-prima de ciência, a fim de mostrar que pode desmanchar o que fizera? Seu saber, ao contrário, não ressalta muito mais da regularidade e da precisão do movimento da sua obra?

Não é, pois, da alçada do Espiritismo a questão dos milagres; mas, ponderando que Deus não faz coisas inúteis, ele emite a seguinte opinião: Não sendo necessários os milagres para a glorificação de Deus, nada no Universo se produz fora do âmbito das leis gerais. Deus não faz milagres, porque, sendo, como são, perfeitas as suas leis, não lhe é necessário derrogá-las. Se há fatos que não compreendemos, é que ainda nos faltam os conhecimentos necessários.
16. – Admitido que Deus houvesse alguma vez, por motivos que nos escapam, derrogado acidentalmente leis por ele estabelecidas, tais leis já não seriam imutáveis. Mesmo, porem, que semelhante derrogação seja possível, ter-se-á, pelo menos, de reconhecer que só ele, Deus, dispõe desse poder; sem se negar ao Espírito do mal a onipotência, não se pode admitir lhe seja dado desfazer a obra divina, operando, de seu lado, prodígios capazes de seduzir até os eleitos, pois que isso implicaria a idéia de um poder igual ao de Deus. E, no entanto, o que ensinam. Se Satanás tem o poder de sustar o curso das leis naturais, que são obra de Deus, sem a permissão deste, mais poderoso é ele do que a Divindade. Logo, Deus não possui a onipotência e se, como pretendem, delega poderes a Satanás, para mais facilmente induzir os homens ao mal, falta-lhe a soberana bondade. Em ambos os casos, há negação de um dos atributos sem os quais Deus não seria Deus.

Daí vem a Igreja distinguir os bons milagres, que procedem de Deus, dos maus milagres, que procedem de Satanás. Mas, como diferençá-los? Seja satânico ou divino um milagre, haverá sempre uma derrogação de leis emanadas unicamente de Deus. Se
um indivíduo é curado por suposto milagre, quer seja Deus quem o opere, quer Satanás, não deixará por isso de ter havido a cura. Forçoso se torna fazer pobríssima idéia da inteligência humana para se pretender que semelhantes doutrinas possam ser aceitas nos dias de hoje.

Reconhecida a possibilidade de alguns fatos considerados miraculosos, há-se de concluir que, seja qual for a origem que se lhes atribua, eles são efeitos naturais de que se podem utilizar Espíritos desencarnados ou encarnados, como de tudo, como da própria inteligência e dos conhecimentos científicos de que disponham, para o bem ou para o mal, conforme neles preponderem a bondade ou a perversidade. Valendo-se do saber que haja adquirido, pode um ser perverso fazer coisas que passem por prodígios aos olhos dos ignorantes; mas, quando tais efeitos dão em resultado um bem qualquer, fora ilógico atribuir-se-lhes uma origem diabólica.

17. – Mas, a religião, dizem, se apóia em fatos que nem explicados, nem explicáveis são. Inexplicados, talvez; inexplicáveis, é questão muito outra. Que sabe o homem das descobertas e dos conhecimentos que o futuro lhe reserva? Sem falar do milagre da criação, o maior de todos sem contestação possível, já pertencente ao domínio da lei universal, não vemos reproduzirem-se hoje, sob o império do magnetismo, do sonambulismo, do Espiritismo, os êxtases, as visões, as aparições, as percepções a distância, as curas instantâneas, as suspensões, as comunicações orais e outras com os seres do mundo invisível, fenômenos esses conhecidos desde tempos imemoráveis, tidos outrora por maravilhosos e que presentemente se demonstra pertencerem à ordem das coisas naturais, de acordo com a lei constitutiva dos seres? Os livros sagrados estão cheios de fatos desse gênero, qualificados de sobrenaturais; como, porém, outros análogos e ainda mais maravilhosos se encontram em todas as religiões pagãs da antigüidade, se a veracidade de uma religião dependesse do numero e da natureza de tais fatos, não se saberia dizer qual a que devesse prevalecer.

QUESTÕES PARA ESTUDO

a) Segundo o Espiritismo, Deus faz milagres?

b) Os chamados milagres seriam compatíveis com os atributos de Deus?

c) Podem os espíritos inferiores, que se dedicam ao mal, praticarem atos tidos como milagres?

d) Segundo Kardec, a sobrevivência das religiões depende dos chamados “milagres”?

Muita paz a todos e bom estudo

Sala Gênese
CVDEE
Coordenação: http://www.cvdee.org.br/contato.asp

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