Mesas Pé de Galo e Bancos de Jardim…

Os começos do Espiritismo em Portugal como movimento organizado, passaram por um simpático grupo de jovens, com toda a inexperiência e espírito de aventura próprios da juventude, que pelo início do ano de 1910 fundou um grupo “espírita” assaz peculiar.
Gilberto Marques, na Revista de Espiritismo nº 5, de 1932, faz um relato saboroso das primeiras experiências do grupo, que se ocupava mais dos fenómenos mediúnicos do que do estudo filosófico. Sem grande sucesso, diga-se, pois as tentativas de contactar o Além foram infrutíferas durante os primeiros oito meses de reunião em volta de uma mesa “pé-de-galo”.
Quando a mesa começou a balançar-se, deixando os participantes anda mais entusiasmados, um dos membros do grupo adoeceu, e os encontros passaram a ter lugar num banco de jardim, em Campo de Ourique, Lisboa.
Um ano depois, a 1 de Janeiro de 1911, o grupo passou a ter sede própria. Aos ouvidos da polícia política da época chegaram rumores das reuniões da associação, os jovens estudantes foram tomados por conspiradores, mas foi por fim esclarecido que se tratava apenas de Espiritismo, e não de Política.
O incidente valeu publicidade nos jornais, e o “Universala Scienca Instituto” (nome em esperanto), contou logo com a adesão de uma primeira filial, no Porto.
Em finais de 1911, tanto o grupo de Lisboa como o do Porto já tinham portas encerradas. Os rapazes que, com entusiasmo pelo Espiritismo, pelo Ocultismo e pelo Hipnotismo, claudicaram quando surgiram as primeiras divergências, viriam a retomar a tarefa. Em 1912 abria as portas o Instituto Internacional de Psicologia, com sede na Rua Áurea, em Lisboa. O Espiritismo era uma das secções deste Instituto, e a revista “Novos Horizontes” era o seu órgão de divulgação.
Em 1913 Portugal fazia-se representar no II Congresso espírita Internacional de Genebra, com a Aliança Neo-Espiritualista Portuguesa, o Instituto Internacional de Psicologia, e o Centro espírita “Amor e Caridade”, da ilha de S. Vicente, Cabo Verde.
Com a chegada da I Grande Guerra, o Instituto Internacional de Psicologia cerrou portas, e a revista foi suspensa. O dinamismo do grupo, que tinha, a par do espiritismo, uma secção de Ocultismo e outra de Hipno-Magnetismo, havia contagiado muita gente, por todo o País e Colónias. As publicações espíritas vicejavam, e fora feito o necessário contraponto aos ideiais materialistas, bem como aos dogmas religiosos que já não satisfaziam os que necessitavam de uma fé raciocinada.
O núcleo de jovens das reuniões no banco de jardim, viriam a estar na origem da Federação Espírita Portuguesa.
(continua)
Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s


%d blogueiros gostam disto: