Serve este texto como resposta ao desafio que um simpático leitor nos lançou recentemente:

Exmos. Senhores,
Já vos enviei um email, em 19 de Janeiro, sobre algumas questões sobre Espiritismo, às quais tiveram a amabilidade de responder. Desde lá, o meu interesse foi tamanho que agora, desde Fevereiro, frequento um Centro Espirita.
O filme “Visto do Céu” – que estreou recentemente – despertou o meu interesse, por tratar algumas questões espíritas. Gostava de vos lançar um desafio – se podiam dizer o que há de real e o que é imaginário nesse filme. Eu vou ver o filme ao cinema, mas gostava de ficar com uma ideia do que há de verdadeiro nele.
Com os meus melhores cumprimentos,
Joaquim xxxx
Viva, Joaquim!
Permita-me um proémio para me congratular com o facto de ter começado a frequentar um Centro Espírita. É sempre muito bom constatar que, a pouco e pouco, o papão em que culturalmente se transformou o Espiritismo se vai esfumando que nem fantasma.
Aproveito também para lhe agradecer o desafio: graças si, fui ao cinema – coisa que não fazia há já alguns meses – e vi um filme que considero de grande qualidade.
Vamos então por partes:
1. Questões terminológicas.
Visto do Céu (em inglês The Lovely Bones) não trata de questões espíritas, mas sim de questões universais que podem ser vistas numa perspectiva espírita. A ver se me faço entender: desencarnar (vulgo morrer), continuar a viver num outro plano, conseguir entrar em comunicação com os que continuam encarnados (vulgo vivos) é algo que acontece desde sempre e é muito anterior ao Espiritismo, neologismo com que Allan Kardec apresentou no séc. XIX a doutrina dos espíritos. Assim, não se pode classificar de espírita algo que lhe é anterior. Podemos, sim, é analisá-lo à luz da Doutrina Espírita. É o que aqui tentarei fazer.
2. Aspectos a considerar
O filme apresenta uma narração autobiográfica aparentemente impossível. Relembro as palavras de Susie, a protagonista, retiradas do trailer: O meu apelido é Salmon (salmão). Como o peixe. O meu nome próprio é Susie. Eu tinha 14 anos quando fui assassinada. A 6 de Dezembro de 1973. Eu não tinha morrido. Estava viva, no meu mundo perfeito. Mas, no meu íntimo, sabia que ele não era perfeito: o meu assassino ainda me assombrava. (…)
Susie Salmon descobre que consegue sobreviver à morte do seu corpo físico. Na dimensão em que se encontra, e à qual chama de seu céu, as leis da física parecem subordinar-se aos seus pensamentos e aos seus sentimentos, em estreita relação com os daqueles a quem se sente afectivamente ligada. Apesar das orientações de uma amiga desencarnada, Holly, que a convida à ascensão para um plano superior, Susie não se consegue libertar tão facilmente do que deixou para trás.
Partindo do princípio que o Joaquim concorda comigo quanto à realidade da vida para além do corpo físico, destaco três outros aspectos, reconhecendo que muita coisa ficará por dizer. O facto de ter visto o filme apenas uma vez, numa sala escura que me impossibilitou a tirada de notas, certamente servirá de atenuante aos olhos do amigo Joaquim e do benévolo leitor que por aqui se demore 🙂
Os aspectos em análise serão portanto os seguintes:
A desencarnação e a pós-desencarnação;
O Céu e os mundos transitórios;
As interferências do plano espiritual no mundo físico e vice-versa e respectivas consequências.
Continuarei o que aqui comecei nos próximos posts.
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